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Iwami Kagura: a dança para os deuses
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15.06.2023

Iwami Kagura: a dança para os deuses

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15.06.2023

Kagura, um estilo de dança e teatro que significa “entreter os deuses”, se originou na região de Iwami, na província de Shimane, na forma de rituais de dança e música baseadas na mitologia japonesa e realizadas durante as cerimônias religiosas xintoístas. Continue lendo!

© Renae Smith

IWANI KAGURA | 石見神楽 A DANÇA PARA OS DEUSES

Kagura é um estilo de dança e teatro que significa, literalmente, “entreter os deuses”, que se originou na forma de rituais de dança e música baseados na mitologia japonesa realizados durante as cerimônias religiosas xintoístas.

As histórias contadas em apresentações de kagura são baseadas principalmente em contos do Kojiki – uma antiga coleção japonesa de mitos, lendas e relatos semi-históricos que frequentemente envolvem batalhas entre deuses e demônios.

Kagura se espalhou por todo o Japão, dando origem a muitos estilos de apresentação e, há muitas gerações, cada região desfruta de sua própria forma. Na província de Shimane, oeste do Japão, Iwami Kagura é um estilo local de kagura conhecido por seu ritmo acelerado, trajes coloridos e histórias simples extraídas da mitologia japonesa.

MÁSCARAS DE PAPEL

Foto © Renae Smith

Reconhecido pela UNESCO como patrimônio cultural imaterial, washi Sekishu é papel feito de plantas nativas da região de Iwami, na província de Shimane. Ele é altamente valorizado por sua resistência e durabilidade.

Nas apresentações de Iwami Kagura, máscaras e torsos de serpente detalhados são feitos desse papel resistente, porém leve, que se adapta ao estilo de dança enérgico e dinâmico.

MESTRES FABRICANTES DE MÁSCARAS

Historicamente, as máscaras usadas nas apresentações de Iwami Kagura eram feitas de madeira. Hoje, elas são criadas a partir de pequenos pedaços de washi rasgados em um molde de argila, acumulando camadas. Quando o papel seca e endurece, o molde é quebrado e o acabamento decorativo é iniciado. O mestre autodidata fabricante de máscaras, Kakita Katsuro, e seu filho, Kenji, criam máscaras de kagura do início ao fim em seu ateliê em Iwami. Cada máscara leva cerca de um mês para ficar pronta.

DEUSES E DEMÔNIOS

Foto © Orlando Gili

Em apresentações de kagura existem muitos personagens diferentes, mas os mais comuns são deuses e demônios. Os deuses geralmente carregam um hei (bastão xintoísta com fitas de papel), uma espada ou um arco e flecha. Os demônios geralmente carregam um onibo, ou bastão de demônio.

As expressões de cada máscara também oferecem pistas importantes: máscaras de deuses têm bocas fechadas, já máscaras de demônios bocas abertas.

DRAGÕES DE PAPEL

Foto © Orlando Gili

O Iwami Kagura é conhecido por seus trajes vibrantes e bordados de fios de ouro e prata verdadeiros. As fantasias são feitas à mão e quatro pessoas levam até quatro meses para desenvolver cada uma. Os trajes podem pesar até 20 quilos, mas os artistas ainda devem se mover vigorosamente em um palco pequeno, o que exige muita resistência e habilidade.

O maior de todos os trajes de kagura é a serpente em forma de dragão. Quando totalmente esticado, o corpo chega a 17 metros de comprimento e pesa 12 quilos. Um corpo de serpente é construído utilizando um método semelhante ao das máscaras, por meio da colagem de folhas de papel washi, o que o torna forte e leve. Bambu seco por um ano fornece a estrutura para o corpo da serpente.

Foto © Renae Smith

MITOS E LENDAS

As apresentações geralmente envolvem confrontos entre deuses e demônios. Acredita-se que esses mitos se originam na crença de que os demônios causavam correntes de ar e inundações e que, por meio da oração, os deuses poderiam derrotar esses demônios, garantindo uma boa colheita e evitando desastres naturais. As histórias são curtas e fáceis de acompanhar.

Contos populares incluem:

UMA PAIXÃO LOCAL

No passado, os papéis de kagura eram desempenhados exclusivamente por sacerdotes e assistentes do santuário. Embora os laços com os santuários xintoístas permaneçam fortes, agora são os residentes locais que os praticam à noite e nos fins de semana para dar vida a essas complexas apresentações. Na região de Iwami, em Shimane, o kagura prospera como uma forma popular de entretenimento e ritual. É comum as pessoas da região de Iwami aprenderem kagura desde a infância. Existem mais de 130 organizações de Iwami Kagura ativas.

MÚSICA PARA OS DEUSES

As apresentações são acompanhadas por música ao vivo, geralmente tocadas por quatro músicos. Uma flauta de seis orifícios lidera a apresentação musical geral ao tocar a melodia. Um pequeno tambor conduz o ritmo e é tocado com um movimento de estalar do pulso, a parte mais técnica do conjunto. Pratos de metal do tamanho da palma da mão são esfregados para frente e para trás para manter o ritmo. O instrumento mais importante usado para dar ritmo aos artistas de palco é um grande tambor; interpretado por um habilidoso membro do grupo kagura, pessoa que também canta o acompanhamento. Além disso, há o ruído do público – afinal, o melhor elogio para um artista após uma dança é uma batida de palmas, um grito e um assobio.

IWANI KAGURA EM SHIMANE

Santuário Taikodani Inari em Shimane

Iwami Kagura é frequentemente apresentado nos fins de semana e, com mais frequência, na temporada anual dos festivais de outono. Os santuários xintoístas ainda recebem as apresentações com frequência. Entre os locais notáveis estão o Santuário de Tatsu no Gozen, nas Termas de Yunotsu; o Santuário de Taikodani Inari, em Tsuwano; o Santuário de Sanku, em Hamada; EAGA, em Masuda; e o resort de águas termais de Arifuku. As apresentações costumam ser gratuitas. Uma lista de locais onde Iwami Kagura pode ser visto em Shimane está disponível no site da província.

 

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